Cabinda Hoje
A
província de Cabinda está situada ao norte de Angola. É um território da
costa atlântica africana com cerca de 7.283 quilómetros quadrados. Tem
fronteiras terrestres a Norte com o Congo Brazzaville, numa extensão de
196 quilómetros, a Nordeste, Leste e Sul com o Congo Democrático, ao
longo de 153 e 100 quilómetros, respectivamente, e a Oeste com o Oceano
Atlântico e tem no rio Chiloango, o maior da província, com uma extensão
de 168 quilómetros. O território de Cabinda possui um clima tropical
húmido em toda a sua extensão com precipitações anuais que rondam os 800
mm. A temperatura média anual oscila entre os 25 e os 30ºC.
A divisão política-administrativa de Cabinda é de quatro municípios,
nomeadamente Cabinda, Cacongo, Buco Zau e Belize. Tem, também, sete
comunas compostas de 386 povoações. A população de Cabinda ronda os 350
mil habitantes cuja actividade principal é a agricultura (cultivo da
terra).
Embora não pareça, a economia de Cabinda não se resume apenas ao
“ouro negro”. As vastas florestas ricas, essencialmente, em café, cacau,
oleaginosas, complementam a riqueza da província que produz também
madeira, batata, banana e mandioca.
As
reservas florestais de Mayombe, em Cabinda (a segunda maior do mundo
depois da Amazónia, no Brasil) podem fornecer mais de 200 mil metros
cúbicos de madeira por ano. É, também, no Mayombe onde se pode encontrar
papagaios, uma ave bastante cobiçada pela sua característica e beleza. A
pesca artesanal merece destaque na província.
O programa de acção do executivo de Aníbal Rocha compreende aspectos
de desenvolvimento multisectorial. Cabinda beneficia de 10 por cento das
receitas provenientes da exploração do petróleo da região. É hoje uma
província em que se assistem a importantes mudanças, no sentido do
bem-estar das populações, aliás uma preocupação já manifestada pelo
chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, que em mensagem de
fim-de-ano defendeu a resolução dos problemas sociais e a pacificação do
território como principais prioridades do governo central, em 2003.
Atendendo a sua principal actividade económica, as autoridades do
enclave advogam a implantação na região do ensino especializado na área
do petróleo. Uma questão menos importante está ligada à reabilitação dos
acessos às florestas, para permitir melhores condições para a
fiscalização do corte ou abate de árvores e o transporte de madeiras.
Mudanças
Mas o enclave vai mudando de imagem cada dia que passa. Já é uma
realidade o serviço de telefonia móvel, financiado pelo governo local e
considerado um projecto de sucesso, o de telefone rural que consiste na
renovação da rede de cabos telefónicos, com a reabilitação, ampliação e
reequipamento da Emissora Provincial e dos Estúdios da Televisão
Pública.
Numa
diversidade de projectos ligados ao melhoramento do abastecimento de
água potável e de energia eléctrica. Nesse último capítulo, é o facto do
Congo Democrático vir a poder fornecer electricidade à província já que
dos 29 megawattes de capacidade instalada na central térmica de Malongo
e na subestação de Cabinda, a Empresa Nacional de Electricidade (ENE)
estar a produzir apenas 6,9 megawattes, 3,5 dos quais no Malongo e 3,4
MW na subestação da capital da província, o que representa, segundo
fontes cerca de 46 por cento da demanda para atender um universo de 14
mil e 800 consumidores. São 150 quilómetros de extensão de linha de
transporte, dos quais 90 corresponde ao território congolês e 60 a
Cabinda.
Outrossim, é o facto da Assembleia Nacional ter concedido autorização
legislativa do governo para adopção de um regime aduaneiro e portuário
especial para Cabinda, uma medida embora considerada de tardia, já
mereceu comentários positivos de alguns extractos da sociedade local.
Assim, todas as mercadorias importadas pela província, cujas taxas
aduaneiras flutuam entre dois e 35% passarão a taxa única de um por
cento para produtos alimentares e três para outros, ficando estabelecida
excepção para os nocivos à saúde (tabaco e bebidas alcoólicas) ou
considerados supérfluos ou de luxo(artigos de ouriversaria, relojoaria e
automóveis ligeiros e pesados). Estes manterão as taxas do regime geral,
por não serem essenciais à sobrevivência da população.
Cabinda ficará assim isenta da taxa de serviço que é de 5 por cento
actualmente. Já o imposto de consumo hoje variando de 2 a 30 por cento,
vai ser reduzido à metade das taxas do regime geral.
Noventa
por cento dos produtores de primeira necessidade de Cabinda são
importados dos países vizinhos, Congo Brazzaville e Congo Democrático,
numa transação comercial facilitada pelo Porto de Ponta Negra, no
primeiro caso, já que o de Cabinda carece de alguns investimentos, ao
que a continuar a dependência dos vizinhos será cada vez mais acentuada
não obstante promessas da região ser dotada de um Porto de longo curso,
bem como a criação de uma frota de embarcações inter-provinciais (Namibe
a Cabinda), privilégio esse que já acontecia na administração colonial.
“Porto Rico”
Uma certa instabilidade ameaçara a tranquilidade das populações do
interior de Cabinda, devido a acções das forças independentistas da FLEC
e da FLEC-FAC, duas facções do movimento independentistas de Cabinda.
Hoje, no entanto, o quadro é bastante diferente. Embora haja
interregno nas conversações entre o governo central e os
independentistas, regista-se já uma mudança de atitude por parte de
muitos dirigentes guerrilheiros que lutam pela autodeterminação do povo
de Cabinda.
Totalmente controlado pelo governo, o território, outrora baptizado
pelos portugueses como “Porto Rico”, é rico em recursos naturais,
nomeadamente petróleo, a principal fonte de receitas do Estado angolano.
Madeira, ouro, diamante, fosfato, urânio são outras das riquezas da
província governada actualmente por Aníbal Rocha. A prospecção
petrolífera em Cabinda iniciou-se em 1915, enquanto a sua exploração,
pela Cabinda Gulf Oil Company tem lugar a partir de 1954. Dai e até hoje
a produção tem aumentado consideravelmente, colocando Angola entre os
principais produtores africanos, com uma produção de mais de 700 mil
barris por dia. E representa 90 por cento das exportações nacionais e
mais de 80 por cento das receitas do Estado e 42 do Produto Interno
Bruto.
A história e a atracção turística
Cabinda tem um aeroporto nacional, e um porto marítimo que precisa de
alguns investimentos para se tornar num dos maiores do país e assim ser
rentabilizado. As ligações aéreas são asseguradas pelas companhias
nacionais publicas, TAAG, SAL, SONAIR, e privadas. Cervejeiras,
matalomecânica, alumínios e construções constituem as principais
indústrias de Cabinda. A sua rede comercial é invejável. Tem postos
mercantis ao longo das fronteiras com os vizinhos Congos. As praias da
província de Cabinda são uma grande atracção turística a juntar ao verde
das suas florestas.
O Museu de Cabinda é um dos maiores centros de pesquisa e recolha da
tradição oral cabindense. E não se pode falar da história dessa região
sem se falar também dos Bakamas, um grupo ritual tradicional que remonta
a longos anos. Os Bakamas, identificados por máscaras que simbolizam
vários rituais da região, sobretudo das localidades de Tchizo, Chinzazi,
Isuso e Ngoyo foram sugeridos por Nsunsi para servir de intermediários
entre o povo vivente e os espíritos ocultos dos deuses e dos
antepassados, assegurando, desta forma, a reconciliação entre os mortos
e os vivos e residem no morro de Tchizo, onde têm desempenhado um papel
de capital destaque segundo a tradição local no combate aos espíritos
malignos. Eles (Bakamas), afirmam-se, porém, como protectores da terra e
da comunidade cabindensa. Os povos de Cabinda estão divididos em idiomas
ou seja em dialectos diferentes. Na região onde se localiza a cidade
capital fala-se Ibinda, desde a comuna de Malembo, do Tando Zinze até ao
Sul, Yema. No centro, município de Cacongo, predomina-se Ilinge enquanto
no Norte (Mayombe, entre os municípios de Buco-Zau e Belize), a língua
já é chamada Quiombe.
Cabinda ainda na boca do mundo, quer do ponto de vista político,
económico, cultural e da história. E aqui aparece um dado que marcou o
tempo: o monumento do Tratado de Simulambuco, localizado a 7 quilómetros
do centro da cidade em direcção ao Norte. Nesse lugar, foi assinado o
referido documento, a 1 de Fevereiro de 1885, entre as autoridades
portuguesas e autoridades tradicionais do enclave. Como resultado desse
grande acontecimento, a região de Cabinda passou a ser um protectorado
da administração colonial passando a área sob sua jurisdição e
administrativa com o resto de Angola.
Trinta anos depois da assinatura de três Tratados Luso-Cabindenses
(1883-1884-1885) entre os emissários da Coroa Portuguesa, por um lado, e
os Príncipes e Notáveis de Cabinda, por outro, e o governador general de
Angola, da época. No entanto, como forma de contribuir para a mudança da
imagem da Província, a Sociedade Nacional de Combustível - Sonangol e as
suas associadas têm vindo a “colocar” alguns milhões de dólares para
atenuar algum déficit que se regista no sector social, mormente na
reabilitação e edificação de escolas, postos de saúde.
No município sede, os parceiros dos blocos 0 e 14 construíram uma
escola do primeiro e segundo níveis para a missão evangélica de Cabinda,
com capacidade para albergar mil crianças, numa média de 40 alunos
subdivididos em três turnos nas nove salas totalmente equipadas, para
além de escritórios. A missão do Lucula Zenza conta, igualmente, com um
novo edifício com seis salas de aulas que se juntaram das quatro
antigas, perfazendo, assim, dez salas, completamente mobiladas.
Outro apoio foi canalizado para o banco de sangue (hemoterapia) do
hospital central em equipamento e material gastável. Em 1992, esse banco
sofrera uma reabilitação profunda e completa permitindo hoje a prestação
de melhores serviços aos pacientes sobretudo os necessitados nas
transfusões de sangue com realce para o HIV.
Para manterem operacional a instituição, são enviados, regularmente,
algum pessoal em Portugal para treinamento. Igualmente, mais de 20
técnicos médios e cerca de 5 superiores (doutores de várias
especialidades de transfusão de sangue), já beneficiaram de estágios sob
expensas do Grupo Sonangol e parceiros dos Blocos 0 e 14 da costa de
Cabinda.